Como calcular depreciação de equipamentos industriais?

Empresas do ramo industrial que querem garantir a qualidade de produção, conformidade legal e uma gestão mais adequada dos seus ativos devem ter processos sólidos e frequentes relacionados ao cálculo da depreciação de máquinas e equipamentos industriais. Além de ser uma obrigação fiscal, o entendimento sobre essa desvalorização ajuda a planejar melhor os cronogramas de manutenção e a aquisição de maquinário.

Como manter um alto nível dos processos industriais é algo bastante delicado, exigindo equilíbrio de todos os setores, os decisores precisam se manter atualizados acerca da legislação, formas de calcular, exigências e até sobre as melhores estratégias para o cálculo de depreciação dos ativos.

Pensando nisso, desenvolvemos este material com tudo que você precisa saber sobre a depreciação dos ativos industriais. Aproveite o conteúdo e entenda melhor as vantagens desse processo.

O que é a depreciação de máquinas e equipamentos industriais?

A depreciação de máquinas e equipamentos industriais é um processo que mensura a redução do valor financeiro de equipamentos e máquinas industriais ao longo do tempo. Essa desvalorização pode acontecer devido a diversos fatores, desde desgaste comum do uso até defeitos e obsolescência de um item.

Somado a isso, é também um conceito fiscal e contábil que permite às empresas ajustar o valor dos seus ativos no balanço patrimonial, bem como determinar a despesa de depreciação para fins de cálculo de lucro e impostos.

Ele é indispensável para uma boa gestão de ativos, mas também financeira. Afinal, a partir da depreciação é possível prever a necessidade de compras de equipamentos, organizar cronogramas e manutenção e até obter um valor estimado para revenda de um maquinário que foi substituído.

Como o maquinário industrial é caro e pouco acessível, calcular e gerir a depreciação de máquinas e equipamentos industriais é um ponto crítico da gestão da indústria. Os gestores devem dedicar sua atenção ao cálculo e ao período estimado de vida útil dos itens mais importantes para a empresa.

Existem normas e diretrizes para fazer esse cálculo e assegurar a conformidade com as obrigações fiscais. Falaremos sobre isso em outro tópico, mas é importante que você entenda a urgência e a necessidade de um cálculo bem-feito para colocar tudo na ponta do lápis.

Qual a importância da análise de depreciação para as indústrias?

A não conformidade da análise de depreciação de máquinas e equipamentos industriais gera inúmeros problemas, tanto do ponto de vista gerencial quanto com a Receita Federal. É por isso que existem diversos parâmetros estabelecidos pelo governo para que o processo ocorra sem erros.

Separamos alguns dos principais pontos que reforçam a importância da análise de depreciação. Confira a seguir.

Permite uma avaliação precisa dos ativos

Uma boa gestão da depreciação industrial permite que todo o inventário da empresa seja estabelecido com mais precisão e confiabilidade. Em casos de venda, abertura de capital ou recebimento de investimentos, esses números podem demonstrar mais claramente o valor total de um negócio.

Além disso, a transparência é um fator que deve ser tratado com muita seriedade. Todos os stakeholders contam com esse princípio para continuar dando o suporte necessário a uma empresa.

Aumenta a eficiência do planejamento financeiro e tributário

É possível ajustar o fluxo de caixa com base nas necessidades reveladas pelo cálculo de depreciação de máquinas e equipamentos industriais, definindo até mesmo o preço final dos produtos para assegurar o alcance dos objetivos. A partir disso, também é possível planejar melhor as substituições, organizando quando e como elas devem acontecer.

Assegura a conformidade fiscal e gera vantagens

Você pode obter deduções no Imposto de Renda com base no cálculo de depreciação dos ativos, o que aumenta a vantagem competitiva do negócio em geral. Em alguns casos, a legislação permite a utilização de métodos de depreciação acelerada, que concedem maiores deduções nos primeiros anos de vida útil do bem.

Estabelece um ciclo de atualização de equipamentos

A partir do momento que a empresa sabe com exatidão a vida útil de um equipamento e qual é o melhor momento para substitui-lo, ela pode planejar melhor as atualizações de maquinários obsoletos ou a aquisição para desenvolvimento de novos produtos. Somado ao benefício fiscal garantido pela Receita Federal, o investimento pode ser ainda maior e mais significativo para o fortalecimento da indústria.

Reduz o esforço de manutenção

Outro grande benefício da gestão da depreciação é a capacidade de realizar manutenções que reduzam a desvalorização do ativo e garantam seu funcionamento por mais tempo. Na prática, o parque industrial sofrerá com menos paradas e o equipamento poderá ser vendido com um valor mais atrativo ao final do seu ciclo de vida.

Tudo isso sem falar no aumento da segurança, já que máquinas com manutenção em dia tendem a gerar menos acidentes. Esse benefício indireto reflete nos custos trabalhistas e reduz gargalos de produção com trabalhadores ausentes.

Como calcular a depreciação de máquinas e equipamentos industriais?

Existem vários métodos para calcular corretamente a depreciação industrial. Trouxemos os principais modelos, junto de exemplos e descrições para que você consiga obter o máximo de vantagem de cada tipo de cálculo conforme o contexto da sua empresa. Veja tudo isso a seguir.

Método linear

Esse modelo divide o valor do bem pelo número de anos da sua vida útil estimada, resultando em quanto a máquina tem seu preço reduzido ao longo dos anos. Ele é bem simples de calcular e permite uma previsão clara sobre a depreciação. No entanto, não considera a depreciação acelerada no início da vida útil, quando o bem tem maior valor e utilidade.

A fórmula é a seguinte:

Depreciação anual = (custo de aquisição – valor residual) / vida útil estimada em anos

Considere uma máquina com custo de aquisição de R$ 100.000,00, vida útil estimada de 5 anos e valor residual (estimativa sobre quanto o bem valerá ao final da vida útil) de R$ 10.000,00 para o exemplo a seguir:

Depreciação anual = (R$ 100.000,00 – R$ 10.000,00) / 5 anos = R$ 18.000,00 por ano.

Método da soma dos dígitos decrescentes

Baseia-se na soma dos dígitos decrescentes dos anos da vida útil para calcular a depreciação anual. É um modelo mais realista, pois considera uma desvalorização maior no começo da vida útil do bem e reduz o lucro líquido tributável.

Para usar esse método, é só seguir a fórmula abaixo:

Depreciação anual = (saldos decrescentes x taxa de depreciação) / soma dos dígitos decrescentes

Antes de tudo, é preciso entender que:

  • saldo decrescente é igual ao valor líquido do bem no início do ano (custo de aquisição – depreciação acumulada nos anos anteriores);
  • taxa de depreciação é o número de anos restantes da vida útil x valor residual / soma dos dígitos decrescente;
  • soma dos dígitos decrescentes significa uma soma da vida útil em anos (se for 5 anos, seria 15, por exemplo).

Para deixar ainda mais claro, tenha como modelo a mesma máquina do exemplo dado no modelo anterior, com a mesma vida útil e um valor residual também de R$ 10.000,00.

No primeiro ano, os números seriam:

  • saldo decrescente: R$ 100.000,00;
  • taxa de depreciação: (5 anos x R$ 10.000,00) / 15 = R$ 3.333,33;
  • soma dos dígitos decrescentes: 15;
  • depreciação anual: (R$ 100.000,00 x R$ 3.333,33) / 15 = R$ 22.222,22.

A partir do segundo, temos:

  • saldo decrescente: R$ 77.777,78 (R$ 100.000,00 – R$ 22.222,22);
  • taxa de depreciação: (4 anos x R$ 10.000,00) / 14 = R$ 2.857,14;
  • agora a soma dos dígitos decrescentes é 14;
  • depreciação do ano: (R$ 77.777,78 x R$ 2.857,14) / 14 = R$ 17.142,86.

Método por unidades produzidas

Aqui você deve atribuir um valor unitário para cada unidade produzida ao longo do ano e subtrair esse total do valor de aquisição. Essa técnica reflete bem mais o valor real do bem e estabelece o lucro possível com o equipamento. Por outro lado, o controle precisa ser bem maior, exigindo atenção e exatidão na contagem da produção.

Ficou interessado? Veja a fórmula:

Depreciação anual = (custo de aquisição – valor residual) / vida útil estimada em unidades x unidades produzidas no ano

O cálculo é simples, mas veja um exemplo ilustrativo considerando que a máquina custa os mesmos 100 mil e que serão produzidas 5 mil unidades ao longo da vida útil:

Depreciação anual = (R$ 100.000,00 – R$ 10.000,00) / 10.000 unidades x 5.000 unidades = R$ 45.000,00

Método de depreciação acelerada por saldo declinante

A ideia por trás desse modelo é determinar um índice fixo de depreciação ao longo de cada ano útil da máquina. Se você estima que o equipamento vai durar 5 anos, por exemplo, deve atribuir 20% de taxa de desvalorização anual. O cálculo parece ser mais complexo à primeira vista, mas é um ótimo meio de inferir a obsolescência de um ativo e planejar a troca.

Calcule assim:

Depreciação Anual = (saldo declinante x taxa de depreciação) / soma dos dígitos decrescente

Seguindo o mesmo valor de R$ 100.000,00, valor residual de R$ 10.000,00, vida útil de 5 anos e taxa declinante de 20%, temos o seguinte:

Primeiro ano:

  • saldo decrescente no início do ano: R$ 100.000,00;
  • taxa declinante: 20%;
  • depreciação anual: R$100.000,00 x 20% = R$ 20.000,00.

Segundo ano:

  • saldo decrescente no começo do ano: R$ 80.000,00 (R$ 100.000,00 – R$ 20.000,00);
  • taxa declinante: 20%;
  • depreciação a cada ano: R$ 80.000,00 x 20% = R$ 16.000,00.

Vale dizer aqui que todas as fórmulas precisam ser adequadas ao contexto. Então, você deve analisar as características da sua operação e o tipo de ativo trabalhado. Pouco adianta tentar generalizar fórmulas que são mais úteis para um setor ou outro.

Quais as diferenças entre depreciação fiscal e depreciação contábil?

Você precisa entender essas diferenças para garantir a conformidade com as normas e melhorar a gestão da depreciação de máquinas e equipamentos industriais. Entenda melhor a seguir.

Depreciação fiscal

O foco da análise de depreciação fiscal está na tributação sobre os ativos, pautada na Lei n.º 12.973/2014 e na Instrução Normativa RFB n.º 1.700/2017. É por meio dela que se reduz o cálculo do Imposto de Renda (IR) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas precisam pagar menos impostos.

Depreciação contábil

A principal função da depreciação contábil é deduzir essa desvalorização dos demonstrativos financeiros da empresa ano após ano. Ela é regida pelas Normas Contábeis Brasileiras (NBC) e tem impacto no cálculo dos impostos a serem pagos, como o Imposto de Renda sobre o lucro líquido.

Como acessar as tabelas oficiais?

Para não cometer erros, você deve seguir apenas as normas oficiais e as tabelas divulgadas pela Receita Federal. Não se esqueça de ler os textos na íntegra, analisando os parágrafos, adições e edições que podem acontecer em seções específicas ou no texto inteiro.

É possível conferir tudo no site da Receita Federal, mais precisamente a Instrução Normativa RFB nº 1700. Vale lembrar que as tabelas e as orientações podem sofrer alterações a qualquer momento, então é interessante contar com o apoio de uma equipe de contadores devidamente especializados nesse processo. Você também precisa atentar para o enquadramento da sua empresa nos regimes, evitando retrabalho ou inadequação às normas e leis.

Precisamos encerrar este artigo reforçando a importância de calcular corretamente a depreciação de máquinas e equipamentos industriais. Além da obrigatoriedade fiscal que você encontra na legislação atual, essa análise permite uma gestão muito mais refinada sobre diversos aspectos da empresa, mas principalmente o financeiro.

Informações adicionais

Adicionalmente, você poderá desenvolver um cronograma de manutenção que favoreça a produção, evitando máquinas paradas por ineficiência, obsolescência ou falhas inesperadas. Isso se reflete bastante no marketing e na imagem da indústria como um todo, principalmente com fornecedores e clientes, que saberão que podem contar com os produtos dentro dos prazos esperados e sem oscilações.

Por fim, com uma boa gestão da depreciação de máquinas e equipamentos industriais, você ainda é capaz de receber incentivos fiscais importantes, além de conseguir determinar ano a ano o valor do negócio com exatidão. Sendo assim, não deixe de calcular corretamente a desvalorização dos ativos do seu parque industrial para desfrutar ao máximo dos benefícios que apresentamos ao longo deste guia.

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